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Nº 001 . JULHO 2008
TRABALHO e sindicalismo
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Editorial |
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A esquerda em Portugal e na Europa atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história. Com a queda do muro de Berlim esperava-se a emergência do socialismo democrático. Mas o que veio foi o capitalismo global, a globalização desregulada, passe o paradoxo, pelas regras do banco Mundial, do FMI, da OCDE e outras organizações internacionais, que fizeram do neo-liberalismo um novo pensamento único. Pretende-se fazer crer que não há outras soluções senão as que decorrem das receitas impostas por estas instituições, muitas delas também veiculadas por Bruxelas. Que fazer?
A razão de ser da esquerda e do socialismo democrático foi sempre a de não se conformar e de procurar soluções alternativas. Como afirmou Octávio Paz, faliu a resposta histórica à pergunta formulada pelos primeiros socialistas sobre a injustiça inerente ao capitalismo. Mas a pergunta permanece. E o dever dos socialistas é o de procurar novas respostas e não baixar os braços perante as dificuldades. O agravamento das desigualdades e da pobreza, o aumento do desemprego e da precariedade, as alterações climáticas e a degradação ambiental, a crise alimentar, a crise dos combustíveis e a carestia de vida, bem como a crise de confiança e de esperança e a própria qualidade da democracia exigem um debate sério, sem complexos nem sujeição aos estereótipos dominantes.
É essa a contribuição que a Opinião Socialista pretende dar, de forma aberta e não sectária. Como Antero de Quental, pensamos que não é possível viver sem ideias. Como ele, pensamos ainda que o socialismo terá de ser sempre um protesto moral contra a injustiça e a opressão.
Todos somos responsáveis pelo nosso mundo e pelo nosso país. Chegou a hora de resistir ao condicionalismo e à colonização ideológica. A hora de sermos nós próprios e de propormos soluções que se baseiem nos valores e não nos interesses que confiscaram o Estado e minam a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. Hora de resistir, de debater e de assumir e divulgar a nossa opinião socialista.
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Nº 001 . JULHO 2008
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