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opinião
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| "Abril e
Maio, Agora Aqui” |
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Agora, aqui é preciso fazer alguma coisa para alterar a situação
que vivemos, o tempo urge e como refere Manuel Alegre no poema
é preciso “Na minha bicicleta de recados … ir pelos caminhos”.
Desta vez o recado foi dado em forma de apelo, por pessoas vindas
de diferentes percursos da esquerda, mas que têm em comum não se
resignarem perante as dificuldades. A festa “1974-2008, Maio Abril,
Agora Aqui” decorreu a 3 de Junho no Teatro da Trindade (TT) em
Lisboa e no Espaço Chiado onde as centenas de pessoas que não couberam
no TT assistiram à festa em directo através de um ecrã gigante.
Juntou-se Gente que continua a ter no seu imaginário a associação
entre o 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 e os valores da liberdade
e democracia. Gente que está disposta a resistir!
Esperava um acto cultural com significado político pois, como Manuel
Alegre referiu a Mário Crespo, “o TT é um espaço iminentemente
cultural”. Pois bem, encontrei um acto político imbuído de significado
cultural. A banda “Rádio Macau”, António Manuel Ribeiro e os Terrakota
fizeram a festa através das cantigas. Seguiram-se as intervenções
de José Moura Soeiro do Bloco de Esquerda, da professora catedrática
Isabel Allegro Magalhães e do deputado Manuel Alegre. De forma
diferente, mas tendo em comum o seu desacordo sobre o paradigma
de desenvolvimento da sociedade ocidental e concretamente sobre
Portugal, os oradores propuseram novas alternativas de crescimento
social e económico. Pronunciaram-se sobre os direitos das minorias,
mulheres e imigrantes. Reflectiram sobre ética, emprego, justiça
social e preservação dos serviços público. Do meu ponto de vista,
talvez Isabel Allegro tivesse feito o discurso mais contundente
da noite terminando-o com a proposta de a festa “ter futuro: no
patamar de uma nova e eficaz solidariedade à esquerda”.
Manuel Alegre protagonizou a intervenção mais aguardada. Referiu
que se estava a quebrar o tabu de que as diferentes esquerdas não
se podiam reunir. Acentuou, com a contundência e elegância que
lhe são habituais, que a sua lealdade era para com todos os milhares
de portugueses desempregados ou no trabalho precário ou que tinham
sido obrigados a emigrar. Salientou que a direita considera a pobreza
uma fatalidade enquanto a esquerda é esperança e acha possível
mudar as coisas e a vida. Frisou que o grande problema é “o défice
social”, sendo este agora “o grande défice dos portugueses”. Destacou,
ainda, que para encontrar novas soluções “é chegado o tempo de
somar esquerda à esquerda” e não de “subtrair esquerda à esquerda”.
As salvas de palma soaram muitas vezes durante a noite, o público
cantou e vibrou, havia entusiasmo, alegria e esperança no ar. Era
como se as pessoas dissessem: “Mesmo na noite mais triste/em tempo
de servidão/há sempre alguém que resiste/há sempre alguém que diz
não”. No final das intervenções os oradores foram ao Espaço Chiado,
onde a emoção era idêntica. Lá Manuel Alegre lembrou que os discursos
já tinham sido feitos, mas soltou uma frase “no futuro encheremos
outras salas”. Mais tarde desvalorizaria as suas próprias palavras,
mas já tinham sido proferidas.
E agora? Que fazer com tanto descontentamento presente, com tanta
ilusão e esperança no futuro! Alguém tem que ser capaz de pegar
nestes sentimentos, afectos, desejos e transformá-los em realidade.
Ninguém melhor do que aquele que é político, mas também é poeta,
ninguém melhor do que aquele “que desarruma um pouco as coisas
sossegadas” será capaz de protagonizar este fórum de vontades.
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Nº 001 . JULHO 2008
DOSSIÊ
NOTÍCIAS
DA CORRENTE SOCIALISTA
OPINIÃO
"Abril e Maio, Agora Aqui”
A POLÍTICA E A CARICATURA
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