Este é um espaço de opinião da responsabilidade da Tertúlia
organizada por alguns membros da Corrente de Opinião Socialista em Lisboa, que reúne semanalmente. Na inauguração deste espaço na revista ops!, escreve a tertuliana Maria José Gama.
René Descartes “Penso Logo Existo”. E, pergunto-me: poder-se-ia igualmente dizer? “Existo Logo Penso”, pois o pensamento surge naturalmente. Faz parte intrínseca do nosso ser. Questiono-me também se pensar implica reflexão. Creio que nem sempre. É subjectivo, dependendo do interesse objectivo que origina esse mesmo pensamento, cuja diversidade e profundidade estão associadas ao contexto cultural, às qualificações do seu detentor, ou apenas às circunstâncias ou preocupações implícitas do quotidiano. No qual estão, naturalmente, inseridas as questões pessoais, profissionais, sociais e de cidadania. Esta última tida como um direito da democracia, de que a sociedade civil se não deve demitir, e que se traduz na obrigação do cidadão participar de maneira proactiva nos problemas que envolvem a sua comunidade e, de uma forma global, o seu país.
De uma maneira geral, começa-se por pensar, meditando recolhidamente, naquilo que por qualquer razão ocupou o espírito. Mas, entretanto, é-se impelido pela necessidade absoluta de o transmitir, de o partilhar com quem se reconheça valor para se trocarem e permutarem opiniões. Este processo é fruto da nossa condição eminentemente social.
De entre as oportunidades, mais ou menos abrangentes, de se expressar o pensamento existem vários meios como a rádio, a televisão, a internet, o teatro, o cinema, a escrita. Contudo há ainda outras formas que, para além dos media e das artes, dão imenso prazer aos seus intervenientes, pelo debate e discussão que geram em torno de determinados temas. Designadamente as conferências e os colóquios, bem como as Tertúlias, que representam uma feliz herança legada, entre outros, pelos conhecidos e conceituados Seareiros.
Presentemente, as referidas tertúlias reacenderam a sua chama e estão de novo muito em voga. Manifestam-se através de agradáveis e interessantes convívios de reflexão e de diálogo aberto e franco, em regra, travado entre intelectuais de notórias diferenças quer culturais, políticas ou religiosas. Curiosamente, muitas vezes, os participantes destes encontros só se conhecem pessoalmente a partir de então. No entanto, criam-se entre os tertulianos laços de grande amizade, pela força dos valores que defendem e do convívio partilhado. Valores, afinidades e preocupações que os identificam, sem obrigatoriamente comungarem das mesmas ideias ou posicionamentos ideológicos. O que significa, não só uma mais valia pelo enriquecimento que as sinergias criadas transmitem ao debate, mas também pela conclusão de que as respectivas diferenças são ultrapassadas pela sintonia que os une por um Portugal melhor, mais justo e mais solidário.
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