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ISSN 1647-0435
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Nº 003 . MAR09 > dossiê
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Crise, tempo de grandes decisões
 
Em poucos meses a crise tornou-se global, desenvolvendo-se agora a uma velocidade sem precedentes. A irresponsável subida da taxa de juro, decidida pelo BCE no Verão de 2008, deu um contributo precioso para agravar a recessão europeia e encaminhá-la para a deflação. Como se esperava, o comércio internacional caiu de forma dramática. Temos pois sob os nossos olhos o que era inimaginável para muitos: a globalização das últimas três décadas está a implodir fazendo disparar para níveis insuportáveis o desemprego, a pobreza e a fome no mundo.

Ao mesmo tempo, tomámos consciência de que os EUA são demasiado dependentes do resto do mundo para que, remetida a uma inércia egoísta, a UE fique à espera de beneficiar da sua recuperação. Como vai a UE participar num esforço conjunto para travar a espiral descendente se não consegue sequer entender-se sobre uma política anti-crise digna desse nome? Porquê comprometer avultados recursos com bancos falidos quando é vital normalizar o fluxo do crédito às empresas? É justo que os contribuintes paguem o desvario especulativo e o enriquecimento ilícito na alta finança? Qual é o tipo de investimento socialmente mais útil e com maior efeito multiplicador a curto prazo? No momento em que a Nova Depressão ameaça instalar-se, os portugueses e os restantes cidadãos europeus têm direito a ouvir respostas claras a estas questões.

Hoje, governantes, oposição de direita, social-liberais da esquerda moderna, analistas do espaço mediático, todos se sentem desorientados porque o paradigma que lhes explicava o funcionamento de um “mundo plano”, o seu GPS neoliberal, já não funciona. Felizmente há quem não esteja desorientado. Em contracorrente ao longo das últimas décadas, socialistas com diferentes percursos, e muitos cidadãos sem partido, foram desenvolvendo um quadro conceptual que não só permite entender o que está em causa nesta crise mas também desenhar os contornos de uma alternativa ao neoliberalismo que a gerou. Uma alternativa que põe a economia ao serviço da sociedade, uma alternativa orientada para o desenvolvimento enquanto processo de melhoria sustentada e sustentável da qualidade de vida das comunidades.

O dossiê deste número da ops! não pôde abordar temas importantes como sejam o ‘regresso’ do Estado, a regulação do sistema financeiro, ou a (falsa) questão do proteccionismo. Ainda assim, os contributos aqui publicados oferecem-nos uma visão de conjunto da crise: analisam as suas raízes profundas, incluindo a sua dimensão cultural, acolhem as dificuldades dos actores sociais mais frágeis e, aspecto importante, identificam oportunidades estratégicas para que o País saia da crise com mais futuro.

Acima de tudo, estes textos mostram que está disponível uma reflexão de grande qualidade, um património valioso de ideias a explorar em novas direcções.
Mergulhados numa espiral depressiva, mais do que nunca precisamos de políticas e de actores políticos inspirados por uma visão do desenvolvimento que seja sustentável nos planos institucional, económico, social e ambiental. Mais concretamente, precisamos de uma alternativa política transformadora que, rompendo com paradigmas do passado, abra uma janela de esperança para o País. A reflexão produzida neste dossiê é mais um contributo para o diálogo catalisador dessa alternativa política.


Nº 003 . MARÇO 2009


DOSSIÊ
Crise, tempo de grandes decisões
Raízes da crise
Crise como ameaça
Crise como oportunidade
Crise e pobreza

NOTÍCIAS
DA CORRENTE SOCIALISTA

OPINIÃO

A POLÍTICA E A CARICATURA

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