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Nº 003 . MAR09 > opinião
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A Mãe de todas as Crises |
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Este é um espaço de opinião dedicado a temas debatidos numa tertúlia organizada por dois membros da Corrente de Opinião Socialista em Lisboa, e que reúne semanalmente. Esta semana escreve a convite de Maria José Gama e Sérgio Pessoa o tertuliano Henrique de Melo.
I have a dream
Luther King
Com justificadas razões, “crise” é palavra diariamente lida e ouvida na Comunicação Social e assunto de conversa entre pessoas nos seus ambientes familiares, profissionais e circulo de amigos.
Termo quase obsessivo, revelador da preocupante e colectiva tomada de consciência de um quotidiano que se tem vindo a degradar aceleradamente e que, para um elevadíssimo número de cidadãos e famílias, corresponde já a vividas situações de angustia.
Pessoas que não precisam que lhes sejam explicadas em “politiquês” as mais ou menos longínquas envolventes internacionais da crise para perceberem, no seu dia a dia de limitados horizontes económicos, a sua amplitude: Sentem-no no vazio do estomago e no desespero da perca do seu posto de trabalho, com a esperança e os olhos muito embaciados pela sombria expectativa quanto à obtenção de outro.
Como acontece em situações de calamidade natural, estamos em “tempo de bombeiros”, isto é, altura para se tomarem as prioritárias medidas necessárias para resolver ou minimizar as suas consequências profundas e nefastas que contaminam todos os países e, como sempre acontece nestas ocasiões, devastam em primeira linha o mundo laboral.
Na crise presente, particularmente agudizada ao ser posta a descoberto a balofa consistência do sistema financeiro internacional (já alguém tomou conhecimento de algum off-shore ter falido ou sido nacionalizado?) e, por arrasto a sua “jóia da coroa”, o globalizado neo-liberalismo sustentado num modelo timidamente regulamentador das obrigações com as economias locais, que não dos direitos. Situação da finança mundial igualmente crítica que está a minar a capacidade do recurso ao sistema bancário por parte das empresas e das pessoas .
Sendo inquestionável reconhecer toda a prioridade em combater as múltiplas frentes de crise com que actualmente nos defrontamos, é igualmente tempo de identificar a existência da origem comum, a “mãe de todas as crises”, que as precede:
A crise de Valores, gerada pela subalternização daqueles que são fundamentais e estruturantes da dignidade e da solidariedade humana, enaltecedor de um triunfalista egoismo individual e empresarial, matriz de modelos de gestão sem ética social, cujas irreparáveis e funestas consequências alguns dos seus “gurus”, com lágrimas de crocodilo, também agora lamentam.
Só pela defesa intransigente de uma política que confira o primado aos valores da solidariedade, assente numa irrepreensível moral prática, é possível congregar os esforços e ânimos da sociedade portuguesa, como colectivo.
É este o único apontar de soluções com legitimidade para mobilizar os portugueses e os fazer acreditar nas medidas propostas para sair da crise, pedir a sua indispensável compreensão para mais um solidário e patriótico esforço a ser partilhado por todos, na certeza que os benefícios não serão, mais uma vez, recolhidos só por alguns.
Como historicamente está comprovado, é em situações de crise profunda que mais é sentida a necessidade de escutar aqueles que sejam portadores de ideias que conjuguem vontades e objectivos comuns.
Não provindas de “homens providenciais”, longe vá o agoiro, mas daqueles que sejam exemplos públicos de cidadania, integridade moral, independência de caracter e sem tibiezas ou subserviências perante o poder instituído, que os obriguem a movimentarem-se com base em critérios de carreirismo ou tacitismos de ocasião.
É esse estatuto pessoal, cívico, político que os torna pólos aglutinadores e de convergência para muitos daqueles que confiam na autenticidade das suas mensagens e propostas, sem necessidade de os verem renunciar aos princípios fundamentais da família política a que pertencem.
A crise é real, em Portugal existe quem reúna os requisitos apontados.
Tardam as propostas políticas, construtivamente clarificadoras e mobilizadoras dos portugueses.
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Nº 003 . MARÇO 2009
DOSSIÊ
Raízes da crise
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