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ISSN 1647-0435
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Nº 003 . MAR09 > opinião
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Tecnologias, comunicação
e partidos políticos
 
Segundo Deva Woody (2008), “as novas formas de comunicação através da internet não se tornaram meios de comunicação de massa porquanto a audiência dos meios tradicionais continua a ser maior do que os sítios Internet mais populares”, contrariando as previsões de muitos analistas. Mas a evidência de que estas catapultam a mobilização de dinâmicas de opinião é já hoje um dado adquirido, mostrando que as revistas online, os blogues, as petições ou as redes sociais são instrumentos capazes de marcar a agenda política, dos quais as instituições políticas e o jornalismo tradicionais dependem e onde largamente se apoiam*.

Este facto indicia que a estrutura da comunicação política se está a alterar, com o surgimento de novas formas de organização política, reduzindo a hegemonia dos Partidos Políticos no campo da democracia participativa. E não será de admirar que no campo da democracia representativa venham a ser criados mecanismos constitucionais que potenciem a representatividade parlamentar de outro tipo de organizações, como é o caso dos movimentos de cidadãos.

Isto não quer dizer que os Partidos Políticos venham a ser suprimidos, ou sequer que deixem de ser os principais actores no jogo político. Mas implica que tenham de passar a conviver e a competir lado a lado com novas formas de organização representativa, o que trará inelutavelmente alterações ao modo como estes últimos se organizam e comunicam com os cidadãos, aprendendo novas competências de comunicaçao em democracia, baseadas em espaços dialógicos de debate, contribuindo para a expansão do espaço público.

Serão os Partidos Políticos que mais depressa descobrirem e se adaptarem a esta nova realidade os que mais probabilidades têm de colher futuramente a adesão dos seus eleitores, promovendo não só a sua renovação interna, como também dando um contributo positivo para o aprofundamento da democracia. A própria alteração do conceito de imprensa e de comunicação, hoje em profunda mutação, não é mais do que um produto das novas tecnologias do conhecimento que potenciam formas mais participadas e diversas de criação de opinião, com um impacto profundo na forma como as organizações políticas comunicam com os cidadãos, obrigando-as a adquirir novas competências de comunicação.

A Revista ops!, revista online promovida por um grupo de militantes socialistas da denominada Corrente de Opinião Socialista, é também nesse sentido um sinal dos tempos. Em pouco mais de seis meses, e com escassos recursos, foram realizados três números abordando quatro dossiers temáticos (Código do Trabalho, Ensino Básico e Secundário, Ensino Superior, A Crise Economia e as Grandes Decisões) envolvendo a participação de actores políticos de diversos quadrantes da esquerda, académicos e investigadores independentes ou filiados, bem como vários cidadãos anónimos. O bom acolhimento que a revista tem tido, dentro e fora do Partido Socialista, será, porventura um reflexo do reconhecimento de que a livre opinião não tem de estar sempre divorciada da opinião mais especializada ou académica, e de que é possível quebrar progressivamente o afunilamento de opiniões a que os Partidos Políticos tiveram sujeitos com especial ênfase na última década.

* Deva woody, “New Competencies in democratic communication? Blogs, agenda settting and political participation”, Public Choice (2008) 134:109-123.

Nº 003 . MARÇO 2009


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