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Nº 003 . MAR09 > opinião
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Desilusão? |
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Estes poetas que nos roubam as palavras.
Desilusão é o titulo de uma canção com letra de Tom Jobim que diz a dado passo “… meu pai sempre me dizia / meu filho toma cuidado / quando pensas no futuro / não esqueças o passado.”
Parece que a actual direcção do Partido Socialista foi atacada por uma amnésia colectiva que os leva a esquecer o passado do Partido no qual militam, e pelo qual foram eleitos. Na boca de alguns dirigentes parece uma heresia pronunciarem o nome do Partido Socialista por extenso: são do PS e chega, como se não se lembrassem do passado! Será que alguns ainda se lembram como se “malhava” no passado?
As opções políticas e o tipo de linguagem usada pelos que hoje nos governam angustia aqueles que foram levados à militância partidária pelos valores que estão inscritos na declaração de princípios do PS. Com efeito, a amnésia que grassa dá jeito ainda para alguns defenderem o contrário do que diziam há tempos atrás, do qual o melhor exemplo é a alteração à legislação laboral. Considerada por muitos juristas um retrocesso e contestada na rua pelos trabalhadores, bem como por alguns deputados do Partido Socialista, a nova legislação foi elogiada pelo Presidente da Confederação Nacional, levando à publicação da célebre frase: “Vieira da Silva fez melhor que um governo de direita.”
Contudo, para os deputados que votaram contra, foi aproveitado o ensejo para lhes “malhar”. Não para demonstrar que não têm razão ou que as criticas eram injustas. Mas tão-só para insinuar que quem não está com a gente é contra a gente, à boa maneira do finado “botas“, esquecendo que a politica é “uma luta de ideias e uma ideia se combate com outra ideia melhor”, e que por vezes, é necessário, como dizia Miguel Torga, ”estar contra isto, para ser por isto”.
Claro que quem se entretém a “malhar” não terá tempo para pensar que os que criticam cá dentro estão também preocupados com os resultados do Partido Socialista nas próximas batalhas eleitorais. Não estaremos nós também preocupados? É evidente que sim! Mas não queremos vencer à custa do embuste dos “amanhãs” que cantam, e de um futuro risonho que nunca mais chega. Queremos vencer pelo mérito das propostas e promessas para “hoje”, e não por falta de comparência do maior partido da oposição. Queremos ainda que o povo que exultou com a vitória do Partido Socialista o volte a escolher para governar, e que a escolha seja feita não pelas promessas apregoadas, mas sim por aquelas que o Partido Socialista cumpriu. Será que isto vai ser algum dia entendido por aqueles que nos governam? Talvez um dia, lá para o final do ano, eles se recordem do “ladrão” de palavras, António Aleixo: Contigo em contradição / pode estar um grande amigo / Duvida mais dos que estão sempre de acordo contigo.
Ora, terminado o XVI Congresso, a par da polémica com a comunicação social, pouco terá sobrado mais do que o apelo à maioria absoluta nas próximas eleições. E pouco se falou sobre quem está no desemprego, ou em risco de o perder. Mas talvez estes últimos gostassem de ouvir que a firmeza utilizada para os mais fracos iria também ser utilizada para os mais poderosos. E que os meios financeiros que se disponibilizaram para salvar a banca tambem estariam disponiveis para salvar os seus empregos. Contudo, tenho a sensação de que para estes não houve mais do que umas poucas palavras.
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Nº 003 . MARÇO 2009
DOSSIÊ
Raízes da crise
Crise como ameaça
Crise como oportunidade
Crise e pobreza
NOTÍCIAS
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OPINIÃO
Desilusão?
A POLÍTICA E A CARICATURA
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