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Nº 004 . jul09 > opinião
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Projectar para a inclusão |
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Temos vindo a assistir a fenómenos sociais que reflectem a existência de grupos de pessoas com problemas de integração. A maioria destes são jovens e seniores. Os seniores sentem-se à margem duma sociedade que é a deles e que, em corrida vertiginosa, os exclui. Os mais novos vêem o seu futuro com apreensão dadas as dificuldades do mercado de trabalho, tão competitivo e muitas vezes tão injusto.
O caso dos jovens que se manifestaram nos arredores de Paris e em Atenas faz-nos reflectir sobre a falta de oportunidades que a sociedade lhes disponibiliza. Por mais que se esforcem nos estudos e no trabalho grande parte vê com dificuldade o alcance de um padrão de vida semelhante àquele que era possível obter há cerca de 10 ou 15 anos. Tornam-se desenraizados, com um futuro incerto.
Por sua vez os seniores são cada vez mais e mais velhos devido ao aumento da esperança de vida. Mas a s suas limitações também se agravam. A vivencia diária torna-se difícil quer por factores económicos quer por restrições da sua condição física, e sentem-se discriminados quer vivam no campo quer sejam citadinos.
A cidade tarda a adaptar-se a esta realidade que chega em força com o século XXI.
Nos centros históricos as casas são antigas sem recuperação efectiva. Não basta pintar as fachadas. Não há isolamentos ou elevadores, isto é, conforto e mobilidade. Não atrai os novos e torna a vida difícil aos mais velhos.
A forma como os espaços interiores se organizam não corresponde às actuais necessidades. Divisões muito pequenas, algumas interiores, instalações sanitárias desajustadas (ou ainda em alguns casos inexistentes), são tudo formas que já não cumprem as funções satisfatoriamente.
No exterior faltam jardins para convívio de proximidade. Se retirarmos as ruas, as implantações das casas e os estacionamentos pouco sobra de espaço intersticial para estadia das pessoas.
Nas periferias também se sofre a falta de urbanidade. Os espaços públicos são negligenciados, as grandes distribuidoras de tráfego provocam ruído e poluição, os equipamentos são deficitários. A estrutura urbana não resulta, em grande parte dos casos, dum acto de planeamento. É antes um somatório de loteamentos onde a ganância de alguns agentes por metros quadrados de construção para vender supera muitas vezes os limites do aceitável.
A construção nova apresenta qualidade duvidosa e constitui-se em bairros muito rapidamente deteriorados onde o vandalismo, o comportamento anti-social de deitar lixo para o chão e fazer graffiti se tornou numa evidencia do quotidiano.
Esta forma de evolução da maioria das periferias das nossas cidades contribui para a proliferação da segregação social. No centro ou nas periferias em degradação a exclusão instalou-se.
A recuperação criteriosa mas urgente destas áreas do tecido urbano teria certamente um efeito benéfico nas pessoas que nelas habitam e trabalham.
A dotação de equipamentos sociais, culturais e de lazer nos bairros periféricos conferir-lhes-ia uma centralidade que contribuiria para o sentido de pertença das pessoas. Este sentimento sairá reforçado se juntarmos uma rede de transportes públicos e capacidade de emprego nas proximidades.
Os locais públicos de reunião quer sejam jardins ou outros espaços comunitários permitem a organização de associações de residentes e, nessa perspectiva, a dinamização da sociedade civil como motor da implementação de actividades aglutinadoras das pessoas que levam à muito necessária participação cívica e ao sentido de pertença.
Os espaços devem ser amigáveis e gerar orgulho dos residentes e um melhor sistema de relações humanas.
As desigualdades económicas e sociais devem ser atenuadas pela entreajuda, cabendo às comunidades ter vontade para procurar aquilo que as pode unir com vista ao bem comum.
A cidade caminhará assim rumo à inclusão particularmente necessária em áreas de regeneração ou recuperação.
Uma atitude certa de planeamento conduzida pelas entidades publicas pode imprimir uma dinâmica de mudança e promover a inclusão que trará um contributo indispensável para a harmonia das nossas cidades.
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Nº 004 . JULHO 2009
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