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Nº 001 . JULHO 2008
TRABALHO e sindicalismo
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EDITORIAl
Manuel Alegre
A razão de ser da esquerda e do socialismo democrático foi sempre a de não se conformar e de procurar soluções alternativas. Como afirmou Octávio Paz, faliu a resposta histórica à pergunta formulada pelos primeiros socialistas sobre a injustiça inerente ao capitalismo. Mas a pergunta permanece.
DOSSIER
TRABALHO E SINDICALISMO
Numa sociedade marcada por profundas desigualdades sociais, as convulsões no campo laboral não podem deixar de atingir o sindicalismo. Mas este – por muitas distorções e vícios de funcionamento que lhe possam ser apontados – continua a ser a força melhor posicionada para defender a classe trabalhadora dos inúmeros ataques que hoje a atingem.
Desigualdades sociais, sindicalismo e governação socialista
André Freire
As tendências demográficas, o fraco crescimento económico, os compromissos europeus e a competição internacional obrigam-nos a ajustamentos dolorosos para promover o equilíbrio das contas públicas
(...). O que se exigia a um governo socialista era o máximo de
equidade possível na distribuição dos custos com tais
ajustamentos. Porém, têm sido exigidos muito mais sacrifícios
aos assalariados do que ao capital: perda de poder de compra,
menores prestações sociais, mais precariedade.
Empregabilidade permanente?
Ana Paula Marques
Transformado em problema político, económico, social e científico - com rasgos de mediatismo crescente -, a inserção profissional dos jovens em geral, e dos diplomados em particular, parece submeter-se a uma operação de alquimia simbólica.
O trabalho de estrangeiros na reforma das relações laborais
Patrícia Jerónimo
Não surpreende, num primeiro olhar, que os trabalhadores estrangeiros estejam ausentes do documento de trabalho apresentado pelo Governo aos parceiros sociais para a reforma da legislação laboral. Sucede, porém, que esta ausência se coaduna mal com o compromisso político, tantas vezes reiterado nos últimos anos, de contribuir activamente para a plena integração dos imigrantes na sociedade portuguesa.
A actualidade do sindicalismo português
Hermes Augusto Costa
Três questões interrelacionadas e de cunho defensivo vêm, regra geral, à baila quando se discute o papel do sindicalismo na sociedade: 1. Até que ponto confiam as pessoas nos sindicatos? 2. Que sinais de renovação sindical são evidentes para que os trabalhadores possam efectivamente ter confiança nos sindicatos? 3. Que influência efectiva têm os sindicatos na sociedade?
Desafios do sindicalismo
Hugo Dias
Historicamente, a emergência de sistemas de relações laborais correspondeu a uma tentativa de regular a utilização do factor trabalho, uma das mercadorias fictícias (Polanyi, 1980), de forma que esta não ficasse totalmente à mercê dos mecanismos de mercado. Tratou-se, no entanto, de um processo longo e não isento de conflitos.
Sindicalismo português: um breve balanço
Elísio Estanque
O ponto de partida para esta breve reflexão liga-se a um tema que tem estado nos últimos tempos na ordem do dia. Procura responder à interrogação que muitos portugueses colocam hoje, que é a de saber por que é tão difícil alcançar um pacto social alargado em Portugal em torno dos problemas laborais? Por que é tão difícil promover acordos “tripartidos” que envolvam todos os parceiros e sejam subscritos pelas duas principais confederações sindicais (CGTP e UGT) e não apenas por uma delas?
Entrevista a manuel carvalho da silva
Reforma laboral e dificuldades do sindicalismo
Elísio Estanque
"Não haja ilusões! O primeiro-ministro pode vir dizer, como disseram ao longo de mais de duas décadas os seus antecessores, que com esta revisão é que se vai melhorar as condições dos trabalhadores, a produtividade, a competitividade e o desenvolvimento do país, que isso não altera a realidade: daqui a uns tempos vamos constatar, como aconteceu no passado, que estamos pior".
NOTÍCIAS DA CORRENTE SOCIALISTA
Opinião Socialista debateu no Porto «Novos rumos para a esquerda»
Nova Esquerda e Educação: que políticas?
Tertúlias temáticas em Lisboa
Manuel Alegre debate com militantes socialistas
OPINIÃO
Revista ops!: reflectir e agir
Nuno David, com Maria José Gama, Pedro Tito de
Morais, Luis Novaes Tito e Sérgio Pessoa
A Corrente de Opinião Socialista (COS)
irá desenvolver as suas actividades para dentro e fora do Partido
Socialista, promovendo actividades locais e nacionais, colaborando
quando necessário com independentes que possam contribuir para o
debate e a formulação de propostas políticas alternativas. A ops!
– Revista de Opinião Socialista –, da qual este fascículo é o
primeiro número, decorre da iniciativa da COS em Lisboa.
Começar de novo
Jorge Bateira
Face ao Não da Irlanda ao Tratado de Lisboa, de forma arrogante alguns líderes da UE logo afirmaram que se trata de um problema que a própria Irlanda terá de resolver. Este é mais um episódio da cegueira que há longo tempo afecta a maioria da classe política da UE.
O encontro
Francisco Alegre Duarte
“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”, escreveu Vinicius de Moraes para um samba imortal. Há muito tempo que as esquerdas portuguesas andam desencontradas. As razões da história e do orgulho das diferentes esquerdas são conhecidas. Tal como conhecido é o resultado prático da conjugação das soberbas da esquerda. A auto-suficiência nas razões e na moral de cada uma das esquerdas é a insuficiência de uma alternativa com políticas de esquerda para este país.
As margens do rio
Luís Novaes Tito
Hoje, ser de esquerda, da nossa esquerda democrática e livre, exige mais do que retórica política ou conceitos genéricos perante as reais dificuldades.
"Abril e Maio, Agora Aqui”
Manuela Neto
A festa “1974-2008, Maio Abril, Agora Aqui” decorreu a 3 de Junho no Teatro da Trindade (TT) em Lisboa e no Espaço Chiado onde as centenas de pessoas que não couberam no TT assistiram à festa em directo através de um ecrã gigante. Juntou-se Gente que continua a ter no seu imaginário a associação entre o 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 e os valores da liberdade e democracia. Gente que está disposta a resistir!
A Política e a Caricatura em Portugal
A política, a anedota, a caricatura e o cartoon em Portugal
Sérgio Pessoa
O escárnio, o sarcasmo, a ironia, a caricatura, o simples humor, diversas espécies de crítica mais ou menos ofensiva, mostrando as fraquezas alheias e provocando o riso, a risota ou apenas facilitando o entendimento imediato do que se pretende criticar, sempre foram usadas na política. Uma boa piada, um bom dichote, sempre tiveram efeitos muito mais divulgados e duradouros do que profundos e elaborados discursos.
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